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As paisagens de Minas Gerais atravessaram minha vida antes de atravessarem minhas obras. As linhas que aparecem remetem à cartografia dos rios,  à silhueta das montanhas e ao movimento do vento. Conduzo a tinta com água, permitindo que a matéria encontre seus próprios caminhos sobre a superfície.

 

Cresci às margens do Rio São Francisco. Desde criança, ia até a ponte de ferro de Lagoa da Prata e permanecia observando o movimento da água percorrendo o leito do rio. Nunca descia até a margem. Ficava na ponte, acompanhando as curvas do rio, a lentidão do fluxo, a maneira como a água desenhava o espaço. Também gostava de sujar as mãos na terra vermelha da região.

 

Hoje moro em Nova Lima, entre serras, solos avermelhados ricos em minério e vegetação de cerrado rupestre. A criança que observava as curvas do Rio São Francisco e colocava as mãos na terra é a artista que hoje trabalha.

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