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Minha pintura surge de aprendizado, vivências e do gesto corporal. Esse gesto corporal não é expressão livre, no sentido romântico. Ele atua como um agente construtivo.

Em cada gesto há um equilíbrio que não é acidental. A minha pintura é pensada antes de existir, mas meu corpo precisa executá-la em tempo real, sem apagar, sem desfazer. Cada traço é irreversível. Há um projeto na minha mente, que negocia o tempo todo com a fisicalidade do momento. O que parece espontâneo é disciplina tornada invisível.

A formação em arquitetura influenciou diretamente a maneira como penso a pintura. Trabalho a superfície da tela como um espaço de construção. Meu olhar atento observa as paisagens por onde passo e registra cores, texturas e movimentos. Muitas vezes coleto elementos minerais desses lugares e os incorporo em minhas tintas artesanais. Esses elementos passam a constituir a própria pintura, trazendo a paisagem como presença física e geográfica, não apenas como representação.

 

Eu projeto, executo e deixo a natureza agir. Deixo a física e a química completarem o que o gesto começou. Eu proponho e a natureza responde.
O resultado surge da relação entre intenção, matéria e imprevisibilidade.

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